quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"CONTRATEI SEU CURRÍCULO, NO ENTANTO, O QUE RECEBI FOI VOCÊ! "


Por Rafael Carvalho Machado


Falta de liderança, unidade, pro atividade, persistência, flexibilidade, comunicação, total ausência de trabalho em equipe, versatilidade e etc... Resultado dessa combinação: frustração!
Há uma grande preocupação das organizações em reduzir ao máximo a margem de erro na escolha de seus funcionários, e para isso as empresas, reforçam seus setores responsáveis, com colaboradores capacitados, investem em testes psicológicos, dinâmicas de grupo, entre outras ferramentas para encontrar o candidato com o perfil certo para suprir as necessidades da empresa.

Infelizmente quase tudo vai para o ralo, quando os candidatos, mentem em seus cartões de visita, ou seja, seus currículos. Mentir no currículo atualmente virou um esporte universal, é o que se chama de “maquiar os fatos”.

No currículo os candidatos dizem ser dinâmicos, polivalentes, empreendedores, abertos à mudanças, generosos, objetivos, focados em resultados, autênticos. Mas ninguém pode ser autêntico tentando ser outra pessoa.

Nós todos temos a tendência a cair em certas armadilhas cognitivas. Reconhecer pessoas que sejam realmente verdadeiras é fundamental para um bom desempenho profissional. Mas, uma das mais duras realidades sobre o recrutamento e seleção de pessoal é que é difícil ver as pessoas como elas realmente são.

Esses erros em relação a quem contratar são muito comuns, a taxa de sucesso em contratações é de apenas 50%. Pense na perda de tempo e energia que isso representa, não só para você, mas também para toda organização.

Um bom emprego é o que todo mundo quer e há dois tipos de candidatos: os que enfrentam de cabeça erguida, as possíveis rejeições e a falta de entrevistas, mas que no final acabam encontrando a vaga certa mediante ao seu perfil e há o outro tipo de candidato, que tenta ir pelo caminho que parece mais fácil, porém é só aparência, mas no final, cedo ou tarde, a farsa vem à tona e o funcionário é dispensado.

Atualmente, o maior desafio de uma empresa não diz respeito ao que, mas ao quem. Os serviços, as estratégias e os procedimentos já estão definidos... Entretanto, quem será o profissional que saberá utilizar todas as ferramentas necessárias para alcançar melhores resultados? Saber o que fazer não é o maior problema que as empresas enfrentam, mas sim encontrar quem vai fazer.

Esses equívocos em relação a quem contratar são custosos. De acordo com alguns estudos realizados, a média de erro numa contratação custa 15 vezes o salário base do funcionário em termos de custos diretos e perdas em produtividade. Pense a respeito disso: um simples erro tolo em um funcionário com salário de 60 mil reais anuais pode custar 900 mil reais ou mais à empresa. Se uma empresa cometer dez erros desse tipo por ano, a perda anual pode chegar a nove milhões de reais.

A empresa deve definir o que espera dos funcionários em termos de valores, comportamento pessoal e expectativas. Essa lista deve ser usada no processo de seleção. O contratado não precisa ser o candidato com o melhor currículo acadêmico ou com mais experiência profissional anterior. Deve ser alguém capaz de se “encaixar” na cultura que se quer criar na empresa.

As organizações no mundo globalizado estão em busca de um candidato que tem, pelo menos, 90% de chance de conseguir um conjunto de resultados que apenas os 10% do topo entre os possíveis candidatos poderiam alcançar. E não só resultados restringidos a medidas financeiras, como lucro receita ou retornos para os acionistas, embora muitas empresas utilizem essas medidas para avaliar o sucesso, porém sucesso está mais relacionado ao desempenho dos funcionários, do que essas medidas. E qual a melhor ferramenta para evitar toda essa bola de neve empresarial ? Os recrutadores. Eles continuam a ser a chave para a pesquisa de talentos, mas eles só podem ser eficientes se a empresa lhes mostrar a cultura interna e a forma de trabalhar da organização. Pense neles como um médico, se ele não é informado, sobre o que está errado e o que a empresa realmente precisa, menos eficazes eles serão.

E para finalizar, pense nisso: no final do capítulo 3 do Livro do Eclesiastes, o autor pergunta: “O que uma pessoa obtém na vida com todo o seu esforço?”. E dá a resposta: “Não há nada melhor que ser feliz e gozar a vida, tanto quanto se puder”. Mas não espere que sua empresa lhe ofereça uma solução. Você é que deve encontrá-la. O maior mérito de um profissional é dedicar a uma empresa seu talento, seu conhecimento, seu tempo. O maior pecado é não achar tempo para dedicar a si mesmo.





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Rafael Carvalho Machado
rafaelcarvalhomachado@gmail.com
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sábado, 10 de novembro de 2012

"A PRIMEIRA CHANCE"


Por Rafael Carvalho Machado



Chegou aquela época da vida em que não era mais possível permanecer dependente dos pais. Mesada? Nunca recebeu. Era coisa,para poucos privilegiados. Ganhos esporádicos daqui e acolá, porém inconstantes, não mais satisfaziam suas necessidades. Era o último estágio da adolescência. O passo seguinte era conseguir um emprego e mergulhar na vida adulta, com todos os reveses, vantagens e responsabilidades.

Encontrava-se nesta fase. Namorava firme, com a mesma pessoa há quase dois anos. Concluíra o ensino médio. Não tinha a menor chance de passar no vestibular, graças à péssima qualidade dos professores de seu curso de ensino médio, salvo raríssimas exceções, e o desinteresse próprio com o qual convivera durante os três anos de estudo. Sem possibilidade de estudar em faculdades particulares, vivia no limbo, entre o fim do ensino médio e o início do primeiro emprego.

Esta fase, experimentada por muitos, é bastante angustiante, pois como qualquer jovem queria e precisava trabalhar, mas a grande maioria das empresas, quando havia vagas, direcionava a seleção para trabalhadores já experientes.

Questionamento comum dos jovens nesta faixa etária é "se não nos deixam trabalhar, como é que adquirimos experiência?". Felizmente nos dias atuais, existem políticas governamentais que incentivam as empresas a contratar pessoas sem experiência, mas isso só passou a existir recentemente, antes a conversa era outra.

A alternativa encontrada e seguida por muitos jovens era fazer o máximo possível de cursos, como matemática financeira, relações humanas, práticas trabalhistas, práticas contábeis e por ai vai. Dessa forma o currículo vai ganhando robustez e compensando a falta de experiência profissional.

Com ele não foi diferente. Fez curso no Senac de digitação, de telemarketing e de matemática financeira. Aliás, foi o Senac que o encaminhou para a primeira oportunidade concreta de emprego.

Era um dia frio como são os dias de julho. A empresa situava-se no centro da cidade. Lá compareceu meia hora antes do horário previsto, vestindo roupas novíssimas que aguardavam ocasião merecedora de tal atitude. Como informado, não seria o único a ser encaminhado para análise da empresa contratante. Na sala de espera, logo a seguir chegaram uma jovem também encaminhada pelo Senac e aquele que seria o responsável pela seleção. Apresentou-se, explicou como seriam os testes e encaminhou ambos os pretendentes à vaga para uma sala contígua

O selecionador entregou um texto para que treinassem por 10 minutos, objetivando "esquentar" os dedos já que a temperatura girava em torno dos 10 graus. Decorrido o tempo concedido para treino, informou que o mesmo texto treinado seria o da prova de velocidade. Teriam os mesmos 10 minutos para comprovar que conseguiriam superar os 250 toques líquidos por minuto. Mostrou o cronômetro zerado, desejou boa sorte e deu o sinal de partida. Ouviam-se os frenéticos tlec-tlecs no computador. Ambos os pretendentes foram bons alunos. A noção de tempo foi para o espaço. O foco da atenção era totalmente direcionado para aquele momento. Tinha certeza de ter alcançado excelente pontuação, fato confirmado posteriormente. Sua concorrente, apesar do bom resultado, cometeu erros, ficando em segundo lugar, que naquele caso era sinônimo de último. 

Outros testes foram aplicados: raciocínio lógico, entrevista, ou melhor, duas entrevistas. No final de tudo, já próximo de meio-dia veio o veredito. Ele havia tido o melhor desempenho. 

O selecionador teve a delicadeza de chamar individualmente cada um dos concorrentes para evitar constrangimentos. 

No ato em que recebeu a notícia de que fora o escolhido, o selecionador perguntou se estava com os documentos necessários à admissão, que ocorreria dali a três dias. Entretanto, ao examinar o Certificado de Alistamento Militar constatou que o candidato ainda não havia sido dispensado do serviço militar.

- Ué! Você ainda não foi dispensado do serviço militar? 

- Não. Compareci no dia marcado, mas não fui nem admitido nem dispensado.

Disseram-me para retornar lá em janeiro do próximo ano.

- Puxa vida, que chato! Temos um problema. Sem ser dispensado ou já ter prestado o serviço militar não há como contrato-lo. Infelizmente para nós dois. Para nós pelo fato de você ter apresentado um ótimo desempenho nos testes de seleção, indicando que seria um bom colega de trabalho. Para você, por perder uma boa oportunidade profissional. Uma pena mesmo...

Ele ouviu e memorizou aquele discurso para o resto da vida e guardou grande mágoa com o serviço militar. A vida continuaria e prosseguir era preciso. 

Quem dá os primeiros passos rumo à vida profissional deve contar com possibilidades de sucesso ou insucesso. Por enquanto, continuaria a figurar no exército, mas no exército de desempregados.




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Rafael Carvalho Machado
rafaelcarvalhomachado@gmail.com
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