Por Rafael Carvalho Machado
Falta de liderança, unidade, pro atividade, persistência, flexibilidade, comunicação, total ausência de trabalho em equipe, versatilidade e etc... Resultado dessa combinação: frustração!
Há uma grande preocupação das organizações em reduzir ao máximo a margem de erro na escolha de seus funcionários, e para isso as empresas, reforçam seus setores responsáveis, com colaboradores capacitados, investem em testes psicológicos, dinâmicas de grupo, entre outras ferramentas para encontrar o candidato com o perfil certo para suprir as necessidades da empresa.
Infelizmente quase tudo vai para o ralo, quando os candidatos, mentem em seus cartões de visita, ou seja, seus currículos. Mentir no currículo atualmente virou um esporte universal, é o que se chama de “maquiar os fatos”.
No currículo os candidatos dizem ser dinâmicos, polivalentes, empreendedores, abertos à mudanças, generosos, objetivos, focados em resultados, autênticos. Mas ninguém pode ser autêntico tentando ser outra pessoa.
Nós todos temos a tendência a cair em certas armadilhas cognitivas. Reconhecer pessoas que sejam realmente verdadeiras é fundamental para um bom desempenho profissional. Mas, uma das mais duras realidades sobre o recrutamento e seleção de pessoal é que é difícil ver as pessoas como elas realmente são.
Esses erros em relação a quem contratar são muito comuns, a taxa de sucesso em contratações é de apenas 50%. Pense na perda de tempo e energia que isso representa, não só para você, mas também para toda organização.
Um bom emprego é o que todo mundo quer e há dois tipos de candidatos: os que enfrentam de cabeça erguida, as possíveis rejeições e a falta de entrevistas, mas que no final acabam encontrando a vaga certa mediante ao seu perfil e há o outro tipo de candidato, que tenta ir pelo caminho que parece mais fácil, porém é só aparência, mas no final, cedo ou tarde, a farsa vem à tona e o funcionário é dispensado.
Atualmente, o maior desafio de uma empresa não diz respeito ao que, mas ao quem. Os serviços, as estratégias e os procedimentos já estão definidos... Entretanto, quem será o profissional que saberá utilizar todas as ferramentas necessárias para alcançar melhores resultados? Saber o que fazer não é o maior problema que as empresas enfrentam, mas sim encontrar quem vai fazer.
Esses equívocos em relação a quem contratar são custosos. De acordo com alguns estudos realizados, a média de erro numa contratação custa 15 vezes o salário base do funcionário em termos de custos diretos e perdas em produtividade. Pense a respeito disso: um simples erro tolo em um funcionário com salário de 60 mil reais anuais pode custar 900 mil reais ou mais à empresa. Se uma empresa cometer dez erros desse tipo por ano, a perda anual pode chegar a nove milhões de reais.
A empresa deve definir o que espera dos funcionários em termos de valores, comportamento pessoal e expectativas. Essa lista deve ser usada no processo de seleção. O contratado não precisa ser o candidato com o melhor currículo acadêmico ou com mais experiência profissional anterior. Deve ser alguém capaz de se “encaixar” na cultura que se quer criar na empresa.
As organizações no mundo globalizado estão em busca de um candidato que tem, pelo menos, 90% de chance de conseguir um conjunto de resultados que apenas os 10% do topo entre os possíveis candidatos poderiam alcançar. E não só resultados restringidos a medidas financeiras, como lucro receita ou retornos para os acionistas, embora muitas empresas utilizem essas medidas para avaliar o sucesso, porém sucesso está mais relacionado ao desempenho dos funcionários, do que essas medidas. E qual a melhor ferramenta para evitar toda essa bola de neve empresarial ? Os recrutadores. Eles continuam a ser a chave para a pesquisa de talentos, mas eles só podem ser eficientes se a empresa lhes mostrar a cultura interna e a forma de trabalhar da organização. Pense neles como um médico, se ele não é informado, sobre o que está errado e o que a empresa realmente precisa, menos eficazes eles serão.
E para finalizar, pense nisso: no final do capítulo 3 do Livro do Eclesiastes, o autor pergunta: “O que uma pessoa obtém na vida com todo o seu esforço?”. E dá a resposta: “Não há nada melhor que ser feliz e gozar a vida, tanto quanto se puder”. Mas não espere que sua empresa lhe ofereça uma solução. Você é que deve encontrá-la. O maior mérito de um profissional é dedicar a uma empresa seu talento, seu conhecimento, seu tempo. O maior pecado é não achar tempo para dedicar a si mesmo.
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Rafael Carvalho Machado
rafaelcarvalhomachado@gmail.com
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